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João Cigano
Contada por Aguinaldo Violeiro.

 

Conta a estória que havia na região de José de Melo, hoje Nova União MG , um moço de posses chamado João, e que quis se juntar a um bando de ciganos que por ali passava. Assim foi feito, numa noite quando a ciganada levantou acampamento levou o João junto e sumiram por esse mundão de meu Deus.

O tempo passou e nada, apenas notícias diziam que o motivo da partida do João era o amor de uma ciganinha, morena, cabelos lisos e pretos, olhos espertos e cintura fina, pele macia como veludo e um sorriso que encantaria a qualquer um, ainda mais a um bom mineiro.

Com espaço de tempo João voltou, e ao retornar ao pago, disse que havia sido uma desilusão, a viagem e o amor da ciganinha. Decidiu sair do bando, mas era tarde demais, os ciganos não perdoam e numa daquelas passadas trilhas por onde se tirava lenha lá nos fundos da Fazenda do Brás, recebeu quando menos esperava um tiro certeiro.

No chão apenas ficou a casca da bala, bagaço da "papo amarelo"   ninguém nunca descobriu quem fez a quebra de milho, mas os antigos contam que foi um cigano irmão da ciganinha pela qual ele havia se apaixonado e deixado a fazenda e a vacada para seguir a sua prenda!

Até hoje quando passamos pela estrada já carreteira e não aquele tímido carreador de antanho, deparamos com a cruz do João cigano pregada a um monstruoso eucalipto próximo à volta da bananeira, nome dado a outra curva da estrada, cenário de uma outra façanha da qual figurou meu amado pai , mas que será contada numa próxima oportunidade

 

2018  Casa dos Violeiros