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Mazinho Quevedo

 

 

O violeiro Osmar Lucianeti Quevedo, mais conhecido como Mazinho Quevedo é violeiro dos bons. Já gravou vários Cds e se especializou em trilhas sonoras para o programa "Terra da Gente" e outros especiais da EPTV. No Caminhos da Roça recebe convidados que têm a música de raiz no coração.

http://eptv.globo.com/caminhosdaroca/interna_musica.asp

 

 

Paulista da Viola
 

Converse com Mazinho Quevedo: de cada duas palavras que ele diz, uma é viola. A outra é "paulista". São as coisas que o compositor e músico mais ama. Os valores da cultura de São Paulo e o som do instrumento que ele toca há 26 anos. Com muito orgulho. E competência. Mazinho, o dr. Osmar Quevedo, não é velho não.Mas já fez muita coisa nessa vida. Aos 36 anos, nascido em Adamantina, na barranca do rio Paraná, já gravou vários discos e se especializou em trilhas sonoras para o programa "Terra da Gente" e outros especiais da EPTV. Dentista formado, não trocaria nunca a viola pelo "boticão".


E sabem como tudo começou? O próprio Mazinho conta como foi o dia em que "ele" descobriu "ela":.
 

"VIOLA, MINHA VIOLA".


Adamantina SP, 1975, uma sexta feira.

-Mazinho,vai buscar pra mim uma lata de massa de tomate no supermercado Coimbra e volta logo que já esta na hora do almoço.
-Tá bom, vó, o troco é bala, né?
Foi assim que a viola caipira surgiu na minha vida. Quando cheguei ao supermercado, que era no mesmo quarteirão da casa da minha avó,tinha uma "variant" azul estacionada em frente. Ela estava lá, bem na porta do bagageiro, encostada no vidro,sem capa, sem nada. Sim, era uma viola. Reconheci logo. De cara. Mas fiz questão de contar: uma, duas, dez cordas. A marca Soros. Olhei a placa. A "variant" era de Piracicaba, SP, e tinha também um puçá, uma traia de pesca e uns trecos de cozinha amontoados no banco de trás.

Mas era ela que me interessava. Sim, com certeza aquela era a viola de que meu tio Iraci tanto falava. Cintura fina,uma elegância que contrastava com o meu pé descalço, mas que, ali , naquela hora, parecia que já me aceitava. Parece que me chamava, queria falar comigo. Na hora só me atrevi a imaginar: que som teria? O mistério me matava de curiosidade e fascinação. Fiquei imóvel, esperando o dono aparecer. Passados dez minutos, saem dois baguás do supermercado com umas tranqueiras na mão, e eu já encostado em frente ao carro, esperando e tramando o que eu ia falar:


- Você toca viola ?, disparei para um deles.
- Não, é ele...e apontou para o outro.
- Como você sabe que é viola, menino? (perguntou o violeiro)
- Tem dez cordas, respondi.Parece que ele gostou da resposta.
- Você toca ?, perguntou de novo o violeiro
- Um pouquinho, menti. Me deixa ver ela de perto! Deixa???
-É tarde, menino, nós vamos pra Panorama, quantos quilômetros tem daqui ?
-Tá logo ali, toca um pouquinho só!, supliquei.

Nisso o primeiro baguá perguntou ao violeiro:

-Você pegou o álcool?
-Esqueci,respondeu o violeiro.
Bendito esquecimento!
Enquanto o rapaz foi buscar o álcool, o violeiro concordou em tocar. Meu coração disparou. Era a hora. O homem tirou a viola do carro, deu uma ligeira temperada,fez um ponteado e terminou com a batida do pagode(o pagode do Teddy Vieira e Tião Carreiro,não o do samba, certo?.)

Ele continuou tocando e eu ,encantado com o som , nem me mexia. Estava meio hipnotizado. Meio bobo. Meio em transe. Naquele estado de graça que a gente sente quando encontra o primeiro amor. Eu não tirava os olhos das mãos do violeiro. Meus ouvidos, naquele momento, sintonizavam uma terceira ou quarta dimensão. Era aquele som, era o som dela!

E então decidi :
- É isso que eu quero, para o resto da minha vida. Pronto, estava feito o pacto. Dali para a frente eu seria sempre o Mazinho Quevedo da Viola.

Voltei pra casa num pé só. Parecia que o mundo estava mais colorido, mais luminoso, mais mais.

Só teve um problema. Primeiro, esqueci a massa de tomate. Segundo, a "brabeza" do meu avô, preocupado que só ele, porque eu tinha demorado demais!

- Você quer matar a gente do coração, menino!.

Ah, vô,hoje eu digo: desculpe a demora! Mas foi o tempo exato de eu começar a escrever a minha história.

Mazinho Quevedo é compositor, violeiro e caipira paulista (graças a Deus!)

2024  Casa dos Violeiros